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Caso Carmen: reconstituição reforça envolvimento de namorado e amante dele na morte da estudante trans, diz delegado


Polícia faz reconstituição da morte da estudante trans com base na versão do namorado

A segunda reconstituição da morte da estudante trans Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, que está desaparecida há mais de dois meses, reforçou o envolvimento de ambos os suspeitos no caso, segundo o delegado responsável. A jovem está desparecida desde o dia 12 de junho, Dia dos Namorados, após fazer uma prova do curso de zootecnia em Ilha Solteira (SP).

A reconstituição no sítio apontado como local do crime, onde a jovem foi vista pela última vez, foi realizada baseada na versão dada pelo namorado da jovem, Marcos Yuri Amorim, à polícia. O delegado responsável pela investigação, Miguel Rocha, informou que o suspeito participou da reconstituição, na manhã de quarta-feira (27).

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"Ele (Yuri) participou do crime. Ele alegou uma série de inverdades, pelo que ele manifestou não condiz com a realidade dos fatos. Ele fala que discutiu com a Carmen, foi até dentro da casa, onde a discussão aumentou de nível. Tudo indica que ambos mataram e ambos ocultaram a vítima”, disse.

Como na primeira reconstituição, os peritos voltaram à ponte sobre o Rio São José dos Dourados, onde uma pá e uma enxada foram jogadas depois do crime. Yuri manteve a mesma versão de depoimento e não assumiu a autoria do crime.

De acordo com a polícia, sem uma confissão, os dois suspeitos vão ser indiciados como coautores do crime. O inquérito será finalizado na primeira semana de setembro. A partir do dia 5 de setembro deve ser decretada a prisão preventiva.

Primeira reconstituição

No dia 21 de agosto, a polícia fez a primeira reconstituição com base na versão do policial militar ambiental da reserva, Roberto Carlos Oliveira, apontado como comparsa de Yuri no crime e indicado como amante dele em um "triângulo amoroso".

Dessa vez, na reconstituição a polícia vai analisar três locais no sítio de Yuri, sendo um deles nas margens do Rio São José dos Dourados, onde a investigação encontrou uma pá e uma enxada, que pode ter sido usada para o descarte do corpo de Carmen.

Em depoimento, Marcos Yuri confessou à polícia que Carmen foi morta no sítio dele, mas atribuiu a autoria do feminicídio ao policial militar ambiental da reserva. Já na versão de Roberto, quem matou a estudante foi o namorado dela. Os investigadores pretendem confrontar as duas versões para conseguir novas pistas.

Carmen foi vista pela última vez no dia 12 de junho, Dia dos Namorados. Agora, a Polícia Civil aguarda os laudos da perícia dos ossos queimados encontrados no sítio de Yuri e do celular despedaçado que podem ser da estudante, além de uma lona que pode confirmar a versão dada pelos suspeitos de que o corpo foi enrolado no pedaço de tecido antes de ser descartado.

A ocorrência, que foi inicialmente tratada como desaparecimento de pessoa, é investigada como feminicídio. O corpo de Carmen não foi localizado até a última atualização desta reportagem.

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Namorado de Carmen, Marcos Yuri, participa de reconstituição de crime em Ilha Solteira (SP)

Muryel Boyan/TV TEM

Polícia faz reconstituição da morte da estudante trans com base na versão do namorado em Ilha Solteira (SP)

Muryel Boyan/TV TEM

Carmen de Oliveira Alves e o namorado Marcos Yuri Amorim, suspeito de assassinato em Ilha Solteira (SP)

Reprodução/Facebook

Carmen de Oliveira Alves (à esquerda), o namorado Marcos Yuri Amorim (ao centro) e o policial militar Roberto Carlos de Oliveira, suspeitos de crime em Ilha Solteira (SP)

Reprodução/Facebook

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Beatriz Santos/Arte g1/TV TEM

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