G1

Certidão de óbito de Zuzu Angel, vítima da ditadura, é retificada após quase 50 anos pelo governo federal


Zuzu Angel morreu quando seu carro caiu da Estrada da Gávea, na saída do Túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro

TV Globo/Reprodução

A certidão de óbito da estilista Zuzu Angel, morta em 1976, foi oficialmente retificada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

O novo documento reconhece que a morte foi violenta e causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição política promovida pela ditadura militar (1964–1985).

A entrega da certidão foi feita nesta quinta-feira (28), durante cerimônia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Além de Zuzu, outras 20 famílias receberam certidões atualizadas de parentes mortos ou desaparecidos durante o regime (veja abaixo quem são).

✅Siga o canal do g1 Rio no WhatsApp e receba as notícias do Grande Rio direto no seu celular.

A retificação atende à Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina que mortes de dissidentes políticos sejam registradas como não naturais e atribuídas ao Estado.

Parentes de mortos e desaparecidos durante a ditadura recebem novos atestados de óbito

Zuzu Angel morreu aos 54 anos, em um suposto acidente de carro na saída do antigo túnel Dois Irmãos, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Anos depois a passagem ganhou o nome da estilista.

Em uma de suas visitas à casa de Zuenir Ventura, em abril de 1975, a estilista deixou um bilhete manuscrito em que dizia:

“Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”. A lápis, acrescentou: “Esteja certo que não estou vendo fantasmas”, recordou o jornalista em uma entrevista.

Zuzu Angel: o centenário da estilista que lutou para descobrir destino de filho assassinado e foi morta pela ditadura

LUIZ CARLOS MURAUSKAS via BBC

Desde os anos 1980, familiares e ativistas apontam que o acidente foi forjado por agentes da ditadura.

Em 1988, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu oficialmente a responsabilidade do regime pela morte da estilista.

Zuzu ganhou notoriedade internacional ao vestir estrelas como Liza Minnelli e Joan Crawford, mas se tornou símbolo da resistência ao regime após a morte de seu filho, o militante Stuart Angel, assassinado sob tortura em 1971.

“Trata-se do reconhecimento da verdade histórica sobre a causa da morte dessas pessoas”, afirmou a secretária-executiva do ministério, Janine Mello.

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, participou remotamente da cerimônia e destacou que o país ainda convive com as sequelas da ditadura: “É importante nomear o óbvio e o vivido para que não se repita”.

Entrega de certidões de óbito revisadas para famílias de vítimas da ditadura militar

Divulgação/ALMG

O governo federal prevê entregar 400 certidões retificadas até o fim de 2025.

Veja quem teve a certidão de óbito modificada:

Adriano Fonseca Filho

Antônio Carlos Bicalho Lana

Antônio Joaquim de Souza Machado

Arnaldo Cardoso Rocha

Carlos Alberto Soares de Freitas

Ciro Flávio Salazar de Oliveira

Gildo Macedo Lacerda

Eduardo Antônio da Fonseca

Pedro Alexandrino Oliveira Filho

Raimundo Gonçalves de Figueiredo

Walkíria Afonso Costa

Zuleika Angel Jones (Zuzu Angel)

Hélcio Pereira Fortes

Idalísio Soares Aranha Filho

Ivan Mota Dias

João Batista Franco Drumond

José Carlos Novaes da Mata Machado

José Júlio de Araújo

Oswaldo Orlando da Costa

Paulo Costa Ribeiro Bastos

Paulo Roberto Pereira Marques

Baixe o nosso aplicativo

Tenha nossa rádio na palma de sua mão hoje mesmo.