Terror em Araçatuba: saiba como foi o mega-assalto a agências bancárias
A madrugada do dia 30 de agosto de 2021 é considerada a mais violenta da história de Araçatuba (SP), quando uma quadrilha, formada por mais de 30 pessoas, causou pânico, terror e mortes ao roubar cofres de bancos na cidade. Neste sábado (30), o crime completa quatro anos.
Na ocasião, os criminosos usaram carros blindados e adaptados para carregar armamento de guerra pesado, capaz de derrubar até um helicóptero, segundo os agentes da Polícia Civil.
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Durante o crime, os suspeitos se dividiram: parte tinha como foco os cofres do Banco do Brasil e os caixas eletrônicos da agência da Caixa Econômica Federal, enquanto os outros rendiam os moradores que passavam pelas ruas.
Eles usaram veículos blindados e fizeram ataques simultâneos a agências bancárias e às sedes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep) e do Comando de Policiamento do Interior (CPI-10), com cerca de 30 tiros de fuzis disparados.
Três pessoas morreram, sendo dois moradores e um criminoso. Outras cinco também ficaram feridas - entre elas, um ciclista que teve os pés amputados após ser atingido por um explosivo. Algumas vítimas foram feitas de "escudo humano".
Veículos na região central e nas rodovias de acesso à cidade foram incendiados para impedir o deslocamento da equipe policial. Próximo à Praça Rui Barbosa, onde estão situadas as agências roubadas, os assaltantes fizeram reféns e armaram explosivos.
Imagens que foram registradas no dia do Mega-Assalto em Araçatuba (SP) em 2021
Câmeras de segurança do batalhão flagraram os policiais posicionados com armas do lado de dentro do prédio e, em seguida, saindo do local para o confronto (veja o vídeo abaixo). À época, as imagens foram divulgadas pelo Fantástico.
Em menos de 12 minutos, a Polícia Militar iniciou as buscas pela quadrilha. Os agentes que estavam de folga e de férias também foram mobilizados para auxiliar na ocorrência.
Exclusivo: Fantástico mostra imagens inéditas da ação dos bandidos no mega-assalto em Araçatuba
Conforme a Justiça Federal, o prejuízo do roubo às agências bancárias chegou a R$ 17 milhões.
O assalto durou cerca de duas horas, entre ataques às agências, tiroteio e fuga. Os criminosos também roubaram oito carros dos moradores para a fuga. Após o ataque, o Centro da cidade permaneceu isolado durante dois dias, até que os explosivos fossem desarmados.
Criminosos fortemente armados durante mega-assalto em Araçatuba
Reprodução/Câmera de segurança
Relembre abaixo as notícias do crime:
Grupo de 30 criminosos atacou três agências bancárias. Em duas delas, os bandidos conseguiram levar dinheiro; a terceira teve apenas os vidros atingidos por tiros; o valor não foi informado;
Veículos foram incendiados para fechar vias e atrapalhar a chegada da polícia;
Criminosos fizeram moradores e motoristas reféns, sendo que algumas das vítimas foram feitas de "escudo humano"; grupo também usou drone para monitorar a chegada da polícia;
Três pessoas morreram na cidade - entre elas, um criminoso; outras cinco ficaram feridas, incluindo um jovem que teve os pés amputados;
Dois suspeitos de participar do crime morreram em outras cidades, sendo um em Sumaré (SP) e outro em Piracicaba (SP);
32 suspeitos foram presos;
Ruas do Centro de Araçatuba foram isoladas, pois explosivos foram espalhados pela cidade; o Gate apreendeu 98 bombas; o trabalho para detonar e desativar levou mais de 30 horas;
Explosivos deixados por criminosos tinham sensores para ativar explosões; outros eram acionados à distância (por mensagem ou ligação);
A investigação policial identificou os suspeitos a partir de materiais genéticos coletados em vestígios do crime, de quebras de sigilo de dados telefônicos e de perícias em aparelhos eletrônicos.
A instrução do processo judicial foi realizada em 15 audiências para oitiva de 33 testemunhas e 20 interrogatórios.
Criminosos armados fizeram moradores de Araçatuba (SP) reféns após ataque a banco
Arquivo pessoal
Condenações
A Justiça condenou nove homens pelos ataque no dia 5 de dezembro de 2023, conforme a decisão da 1ª Vara Federal de Araçatuba.
Dos 18 réus, nove foram condenados a penas de 40 a 65 anos de prisão por integrar organização criminosa, latrocínio consumado e tentado, roubo majorado pelo concurso de pessoas, restrição da liberdade das vítimas, emprego de arma de fogo e explosão de obstáculos, incêndio e acionamento de explosivos.
Criminosos fizeram 'escudo humano' com moradores de Araçatuba (SP)
Arquivo pessoal
Outros nove réus foram absolvidos por insuficiência de provas. As sentenças foram publicadas pelo juiz federal Fabio Luparelli Magajewski. As penas, se somadas, ultrapassam 470 anos de prisão em regime fechado. Veja quem são os réus e quais foram as penas abaixo:
Willian Brito dos Santos: 65 anos e oito meses de prisão em regime fechado e 501 dias-multa;
Rogerio Oliveira Rodrigues: 65 anos e oito meses de prisão em regime fechado e 501 dias-multa;
Cristiano de Moraes Vieira: 65 anos e oito meses de prisão em regime fechado e 501 dias-multa;
Jairo Nogueira: 40 anos e três meses de prisão em regime fechado e 362 dias-multa;
Welton Marinho da Silva: 65 anos e oito meses de prisão em regime fechado e 501 dias-multa;
Renato Jorge Vianna: sete anos e dois meses de prisão em regime fechado e 433 dias-multa;
Ademir Luiz Rondon, que é ex-militar do Exército: 65 anos e oito meses de prisão em regime fechado e 501 dias-multa;
Carlos Eduardo Rocha Dias: 47 anos e dois meses de prisão em regime fechado e 433 dias-multa;
Guilherme Ciarelli dos Santos: 55 anos e oito meses de prisão em regime fechado e 487 dias-multa.
Material explosivo apreendido pela polícia em Araçatuba (SP)
Polícia Militar/Divulgação
Araçatuba: assaltantes atacam 3 agências bancárias e espalham explosivos na cidade
Arte g1
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