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Putin e Kim Jong-un farão visita conjunta à China para desfile militar


Os líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, conversam durante cúpula de líderes regionais no Uzbequistão, em 15 de setembro de 2022.

Kremlin Pool via AP

O presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, participarão de um desfile militar em Pequim, capital da China, na próxima quarta-feira (3), segundo afirmou o governo chinês nesta quinta-feira (28).

Além de Putin e Kim, o desfile contará com a presença de outros 24 chefes de Estado e de governo estrangeiros, informou o Ministro Assistente das Relações Exteriores, Hong Lei, em entrevista coletiva — o governo brasileiro ainda não havia confirmado quais representantes enviará até a última atualização desta reportagem.

Além dos líderes da Rússia e da Coreia do Norte, estarão o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o chefe da junta de Mianmar, Min Aung Hlaing. A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, atual líder do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics, também deve participar.

Procurada pelo g1, a assessoria de imprensa da ex-presidente ainda não havia confirmado se ela participará da parada em Pequim até a última atualização desta reportagem.

O evento marca os 80 anos desde a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, que encerrou a ocupação de áreas do território chinês.

Quase nenhum líder ocidental estará entre os chefes de Estado ou de governo estrangeiros que participarão do desfile. Para especialistas, o objetivo de Xi Jinping é demonstrar seu peso sobre países que querem reconfigurar a ordem global dominada pelo Ocidente.

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“Xi Jinping está tentando mostrar que é muito forte, que continua poderoso e bem recebido na China”, disse Alfred Wu, professor associado da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew, da Universidade Nacional de Cingapura, à Reuters.

“Quando Xi era apenas um líder regional, ele admirava Putin e via o tipo de líder de quem poderia aprender — e agora ele é um líder global. Ter Kim ao seu lado também ressalta como Xi agora é visto como líder global”, completa o professor.

O líder chinês tem buscado ampliar a influência de Pequim no palco internacional, não apenas como a segunda maior economia do planeta, mas também como um ator de peso na diplomacia. Ele vem ressaltando a imagem da China como um parceiro comercial confiável, em meio ao impacto das tarifas impostas por Trump, que afetaram as relações econômicas mundiais.

Agora, enquanto um acordo com Putin para encerrar a guerra na Ucrânia permanece fora do alcance dos EUA, Xi se prepara para recebê-lo em Pequim.

Uma coalizão de Estados empenhados em remodelar a ordem global liderada pelo Ocidente, o chamado Eixo da Turbulência tem buscado minar os interesses dos EUA, seja em relação a Taiwan ou bloqueando rotas marítimas, além de contornar sanções ocidentais oferecendo apoio econômico mútuo, dizem os analistas.

Os únicos líderes ocidentais a participar dos eventos em Pequim são Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia, membro da União Europeia, e Aleksander Vucic, presidente da Sérvia.

Fico tem se posicionado contra sanções à Rússia por sua guerra contra a Ucrânia e rompeu com a UE ao visitar Moscou. Vucic também visitou Moscou em maio e deseja manter boas relações com a Rússia e a China, mas afirma que a Sérvia continua comprometida em ingressar na União Europeia.

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