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Violência contra LGBTQIAPN+: pretos, trans e homossexuais são os mais vulneráveis no Piauí, aponta boletim


Violência contra LGBTQIAPN+: pretos, trans e homossexuais são os mais vulneráveis no Piauí, aponte boletim

Reprodução/TV Diário

No Piauí, a violência contra a população LGBTQIAPN+ atinge principalmente pessoas pretas, transexuais e homossexuais, segundo dados divulgados pela Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). O 3º Boletim de Dados de Violência Contra a População LGBTQIAPN+ foi lançado nesta sexta-feira (29).

🏳️‍🌈 A sigla LGBTQIAPN+ representa Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais/Travestis, Queer, Intersexo, Assexuais/Arromânticos/Agênero, Pansexuais e Não-binários, e o + para incluir outras identidades de gênero e orientações sexuais não explicitamente mencionadas.

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De modo geral, o relatório aponta que a violência se concentra em grupos vulneráveis e moradores de áreas periféricas. Além disso, destaca o crescimento de crimes como estelionato. Também reforça a urgência de políticas públicas voltadas para combater a violência em relacionamentos lésbicos, historicamente ignorada.

Foram analisados 958 casos, envolvendo 808 vítimas. O documento foi desenvolvido em parceria com o Grupo de Pesquisa em Geografia Humana e Valorização do Espaço da Universidade Estadual do Piauí (Uespi).

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Tipos de crimes e perfil das vítimas

Em 2024, os crimes mais registrados foram estelionato (16,91%), ameaça (15,14%) e furto (13,88%). Os dados mostram uma mudança em relação a 2023, quando ameaça e estelionato lideravam. Segundo a SSP, a variação pode indicar alteração no padrão da violência ou maior visibilidade desses crimes.

Foram registrados seis crimes violentos letais intencionais: dois homicídios e quatro feminicídios — sendo um transfeminicídio e três lesbofeminicídios. A maioria dos feminicídios ocorreu dentro de casa, enquanto os homicídios aconteceram em locais públicos. Nenhum feminicídio foi cometido com arma de fogo.

O perfil das vítimas mostra que:

73,3% eram pessoas negras (pretas e pardas);

com maior concentração na faixa etária de 21 a 40 anos. A idade média foi de 32 anos, com destaque para o grupo entre 26 e 30 anos;

a maioria se declarou homossexual (78%), sendo 44,14% gays;

também predominam pessoas solteiras (73,9%);

e com ensino médio completo (38,89%).

Pessoas transexuais e travestis são as principais vítimas de agressões físicas e ameaças. Já lésbicas, gays e bissexuais enfrentam mais crimes contra a honra e ataques digitais, como injúria, difamação e invasão de dispositivos.

Locais dos crimes

A violência se concentra em áreas específicas, com destaque para bairros de Teresina como Centro, Cabral, Vermelha, Morada Nova e Itararé. Cidades como Parnaíba, Campo Maior, Piripiri e Miguel Alves também registram altos índices.

Teresina concentra a maioria dos crimes contra a população LGBTQIAPN+ no estado, com 512 dos 958 casos registrados. Os bairros Angelim, Fátima e Parque Ideal também mantêm altos índices.

A repetição dessas áreas mostra que a violência é recorrente e não aleatória, com mapas apontando esses bairros como focos principais.

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